O concreto viaduto
Que dirá o maldito
no meu luto
viaduto de ilusões que
me cercam e me cobrem e
engolem a nação-mundo
que dirá o bastardo do mundo
no esquecido do não dito
quem esquece e não
se apressa pra fazer tudo
tudo aquilo que foi dito
de uma boca
dum maldito de não dito
que não lembra o que disse que
foi dito para os outros
que hoje olham o viaduto
sem carro ônibus bicicleta
os cobriu o viaduto
viaduto vida e casa
que de casa não tem nada
os que tem vida no
viaduto de noite cobertos
no viaduto debaixo
do viaduto
da guerra fome morte miséria
que a ilusão dos
filhos-bastardos-do-mundo criaram
colocou pros filhos-da-miséria
a ilusão que não existe
guerra-fome-morte-miséria
pra além do que conhecem
ou que só existe
pra além do que eles conhecem
miséria que só é minha
miséria que não é minha
miséria que não é de ninguém
mas que é de todo mundo
miséria pra todo (o) mundo.
(Trem Expresso Leste da CPTM, São Paulo, Outubro de 2006)
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24 de março de 2008
7 de março de 2008
Singela homenagem à Poesia
Patrão Padrão
Língua de padrão
poesia de padrão
pensamento de padrão
patronus – patrão – padrão
já cansei de poema patrão
construção de texto patrão no
papel virtual da tela
de um computador que passa
pr'o papel palpável que eu pego
do patrão da norma e regra
dita o texto a linguagem o
formato de amostra intelectual que
comanda uma academia.
Não sei se dá pra pôr
no poema o acadêmico
formado de padrão no
patrão de fonte monoespaçada
quebra de linha 1,5
margem 3x3x3x3
do texto morto de academia
que pronto vai pras gavetas
e não sai da boca de ninguém o texto
que não foi engavetado na cabeça
das pessoas que não conhecem
a gaveta
do arquivo.
Colocar o perfeito patrão
na norma de um poema que
não é meio não é matéria
não é uma amostra grátis do
conhecimento da sociedade-humanidade
que de velha precisa
ter já uma herdeira
que não mate a mãe ela mesma
que ganhe o espaço da mãe
que permita chegar nova herdeira
de todo um mundo que não cabe
em poemas
que de tudo que existe
é amostra do pensamento.
Tira o perfeito da gaveta
da ilusão da cabeça
que não sabe o que é perfeito
não sabe
ser perfeita
não conhece perfeição
que não existe.
De perfeito morreu
o socialismo de utopia
o milagre Americano
o metro de Homero
o Latim de Júlio César
de perfeito morreu Deus
e do que morre sobra
espectro do que poderia
ser talvez em ilusão
mas não é nem foi perfeito.
I
Língua de padrão
poesia de padrão
pensamento de padrão
patronus – patrão – padrão
já cansei de poema patrão
construção de texto patrão no
papel virtual da tela
de um computador que passa
pr'o papel palpável que eu pego
do patrão da norma e regra
dita o texto a linguagem o
formato de amostra intelectual que
comanda uma academia.
Não sei se dá pra pôr
no poema o acadêmico
formado de padrão no
patrão de fonte monoespaçada
quebra de linha 1,5
margem 3x3x3x3
do texto morto de academia
que pronto vai pras gavetas
e não sai da boca de ninguém o texto
que não foi engavetado na cabeça
das pessoas que não conhecem
a gaveta
do arquivo.
II
Colocar o perfeito patrão
na norma de um poema que
não é meio não é matéria
não é uma amostra grátis do
conhecimento da sociedade-humanidade
que de velha precisa
ter já uma herdeira
que não mate a mãe ela mesma
que ganhe o espaço da mãe
que permita chegar nova herdeira
de todo um mundo que não cabe
em poemas
que de tudo que existe
é amostra do pensamento.
III
Tira o perfeito da gaveta
da ilusão da cabeça
que não sabe o que é perfeito
não sabe
ser perfeita
não conhece perfeição
que não existe.
De perfeito morreu
o socialismo de utopia
o milagre Americano
o metro de Homero
o Latim de Júlio César
de perfeito morreu Deus
e do que morre sobra
espectro do que poderia
ser talvez em ilusão
mas não é nem foi perfeito.
(Biblioteca Florestan Fernandes, FFLCH, Fevereiro de 2007)
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