Chove.
Cada gota que cai
inunda de verbo
as minhas veias.
Cada mínima palavra
que escrevo encharca
o papel de vontades.
Cada vontade suprida
eu refaço e redesenho
e a torno borrão.
Cada borrrão
que eu marco
se faz cor.
Cada cor
que eu pinto
se faz som.
Cada som
que eu emito
se faz gota.
É chuva!
(Poá-SP, Fevereiro de 2009)
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6 de fevereiro de 2009
23 de janeiro de 2009
Aos pedaços
Escrevi um verso
numa gota d'água.
Quando choveu no dia seguinte
eu enjoei de ouvir o verso.
Escrevi uma estrofe
numa onda.
Quando chegou a ressaca do mar
eu enjoei de ouvir a estrofe.
Escrevi uma palavra
em cada veio da cascata.
Quando mergulhei no rio
o que eu ouvi finalmente parecia poesia.
(Poá-SP, Dezembro de 2008)
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